Você tem valor como um indivíduo e o produto ou serviço que estamos oferecendo é de grande valor quando bem combinado com o cliente certo. Espero que aproveitem e qualquer dúvida podem deixar seus comentarios.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
O trem-bala vem aí
Já está pronto o novo modelo para implantar o trem-bala. O governo federal espera fazer a primeira audiência pública com o edital da chamada fase 1, já em setembro.
A nova modelagem prevê duas PPPs (Parceria Público-Privada): uma para infraestrutura e desenvolvimento imobiliário e outra para operação e tecnologia. Antes era uma só.
O ganhador da PPP de infraestrutura e desenvolvimento imobiliário será o responsável por toda a obra e terá direito a explorar empreendimentos e receitas imobiliárias ligadas à concessão. Poderá ser um consórcio com empreiteiras que fariam obras e serviços, bem como investidores que aportariam capital. Será o que chamamos de PPP administrativa.
A contrapartida do privado vem mediante a prestação de serviço e adiantamento de capital para a obra. O governo federal ressarce com dinheiro o privado, ao longo dos anos estipulados (geralmente entre 25 e 30 anos), a uma determinada taxa de retorno, e contará com financiamento de bancos, principalmente do BNDES.
Na PPP administrativa, o privado não corre risco, uma vez que tem a garantia de retorno do Estado em prestações previamente definidas.
O ganhador da PPP de operação e tecnologia irá comprar os sistemas de controle dos trens, os próprios trens, tecnicamente conhecidos como TAV (Trem de Alta Velocidade), e operá-los.
Dessa forma, o governo federal reduziu barbaramente o risco do operador privado, que não vai colocar dinheiro na obra. Só operar e manter o trem.
Ainda não se sabe claramente se parte das compensações, em razão do impacto ambiental que o EIA-Rimas (estudos e relatórios de impacto ambiental) apontará, ficará por conta do governo.
O consórcio vencedor da PPP de Operação e Tecnologia terá investidores, fará o projeto executivo e administrará um Sistema TAV que, por sua vez, vai definir a tarifa e ter a relação com os usuários.
Na prática, o governo retirou muito o risco dos privados. Quer fazer o TAV de qualquer forma. Definiu o projeto como estratégico, dando-lhe preferência com relação ao metrô em grandes cidades brasileiras.
Estima-se que com o dinheiro que será gasto no trem-bala seria possível fazer 700 km de metrô não subterrâneo, vulgo metrô de superfície ou monotrilho. Ou construir cerca de 160 km de metrô subterrâneo. É uma opção com a qual não concordo, mas é a realidade definida pelo governo federal.
O trem Rio-São Paulo vai ter velocidade diretriz de 300 km/h, enquanto os regionais como Campinas-São Paulo-São José dos Campos de 160 km/h a 180 km/h.
Se o governo também substituísse o trem Rio-São Paulo por trens com essa faixa de velocidade, economizaria mais da metade dos recursos financeiros. E poderia construir 350 km de metrô de superfície ou 80 km de metrô subterrâneo nas cidades brasileiras.
O governo fez uma opção. Uma opção equivocada.
A sorte está lançada.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário