"Os mercados estão passando por um momento muito difícil - a volatilidade está crescendo e a voracidade dos declínios é tão rápida que talvez ninguém consiga compreendê-la", disse Robert Pavlik, estrategista-chefe de mercado da Banyan Partners.
Ontem, o Fed divulgou que vai manter a taxa básica de juros dos EUA perto de zero até meados de 2013 e não descartou a possibilidade de mais medidas de estímulo à economia do país, provocando um avanço nos mercados de ações norte-americanos. Hoje, porém, os investidores decidiram se concentrar em outra parte do comunicado do Fed, na qual o banco central diz que o crescimento da economia dos EUA "está consideravelmente mais lento" do que o previsto.
Além disso, segundo Kelli Hill, gerente de portfólios da Sentinel Investments, a confiança do mercado está muito baixa no momento e nem mesmo expectativas de que o Fed adotará mais medidas de estímulo à economia podem ser suficientes para ajudar a mudar esse quadro. "Nada parece estar funcionando - tivemos dois programas de afrouxamento monetário, os juros estão em zero e nada parece funcionar. O mercado ficou viciado no estímulo constante e, como um viciado, quer mais e mais."
Também pesaram sobre as bolsas receios com a possibilidade de um agravamento na crise da dívida soberana da Europa. "O mercado pode ir da euforia à depressão" muito rapidamente, disse Chris Brown, gerente de portfólios do Pax World Balanced Fund, acrescentando que "as pessoas estão preocupadas com a questão do rating da França e os bancos estão sob pressão extrema".
Mais cedo, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, interrompeu suas férias e fez uma reunião de gabinete para discutir aumentos de impostos, cortes nos gastos e outras medidas orçamentárias para garantir a redução no déficit fiscal do país, o que gerou rumores de que a França estaria prestes a ter seu rating de crédito rebaixado.
As três principais agências classificadoras de risco - Moody's, Standard & Poor's e Fitch -, porém, seguem atribuindo nota triplo A com perspectiva estável para a França. A Fitch havia reiterado o rating soberano da França no dia 31 de maio, enquanto a S&P afirmou sua posição em 23 de dezembro. A MoodyŽs não reitera ratings de crédito.
Para Cathie Wood, executiva-chefe de investimentos em portfólios temáticos da AllianceBernstein, "as pessoas realmente acham que antes de isso acabar alguém vai ser nocauteado, isso é o que elas estão esperando. O Banco Central Europeu (BCE) foi forçado a ajudar a Itália e a Espanha e isso não foi suficiente para as pessoas, que agora estão em cima da França".
O Dow Jones caiu 519,83 pontos, ou -4,62%, para 10.719,94 pontos, oscilando 541 pontos entre a máxima e a mínima da sessão. Entre os componentes do índice, a Walt Disney recuou 9,11%. Ontem, a companhia anunciou resultados financeiros que superaram as expectativas do mercado, mas alguns analistas demonstraram receios com a possibilidade de uma desaceleração no ritmo de crescimento da receita da empresa com publicidade.
O Nasdaq perdeu 101,47 pontos, ou -4,09%, para 2.381,05 pontos, enquanto o S&P 500 teve declínio de 51,77 pontos, ou -4,42%, para 1.120,76 pontos. As ações do setor financeiro lideraram as perdas. Fecharam em baixa Citigroup (-10,47%), Bank of America (-10,92%), JPMorgan Chase (-5,58%) e American Express (-7,16%), entre outros. As informações são da Dow Jones.
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