domingo, 7 de setembro de 2014

Carvalho trata denúncias de ex-diretor da Petrobras como 'desespero'

Dilma Rousseff fala 
com
 o ministro Gilberto Carvalho e o vice-presidente Michel Temer durante o desfile - Andre Coelho / O Globo

BRASÍLIA - Após a parada militar do Desfile do Sete de Setembro, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) afirmou que as denúncias do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, envolvendo políticos em um esquema de corrupção na estatal, não interferem na campanha à reeleição da presidente Dilma. O ministro tratou como “desespero” da oposição usar a delação premiada de Costa contra o governo.
— Acho que estão tentando usar essa delação premiada, ou melhor, a notícia parcial de vazamento não confiável, para tentar, um pouco 
no
 desespero, mudar o rumo da campanha. Vazamento sempre é condenável, porque pode ter sido por advogado de réu para proteger algum réu e prejudicar outro. A gente só pode dar uma resposta qualificada quando tiver de fato a informação de todo o teor que o cidadão está descrevendo para a Polícia. Até lá tudo que se falar é muito precário — afirmou.

Gilberto Carvalho tratou ainda as denúncias como "boataria".
— Não posso tomar como denúncia contra a base aliada uma boataria de um vazamento de um procedimento que 
eu
 não sei qual é. Vazamento é uma coisa, em geral, dirigida. Nós não estamos aceitando esse processo como um processo por enquanto real — disse o ministro.


Carvalho afirmou que enquanto não houver reforma política, não será possível para nenhum governo combater a corrupção.
— Enquanto houver financiamento empresarial de campanha e a campanha se tornar momento de muitos ganharem dinheiro e movimentar muito recursos, quero dizer não há quem controle a corrupção enquanto houver esse sistema eleitoral. E isso é com todos os partidos, não há infelizmente, nenhuma exceção.
Segundo o ministro, as informações que vieram à tona até o momento são “muito precárias” e que, por isso, o governo não tem como nem onde agir. Disse que a simples menção ao nome de um político não quer dizer que ele tenha feito algo de errado. Carvalho citou o caso do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto no mês passado em um acidente aéreo.
— Não podemos julgar as pessoas enquanto não houver de fato comprovação ou a denúncia. Temos que tomar muito cuidado. Ninguém tem que ficar muito preocupado enquanto não tivermos acesso ao inteiro teor da denúncia. Depois disso, é agir como sempre agimos nesse governo. O presidente Lula disse e a presidente Dilma reitera, quem não quiser ser investigado, que não erre nesse governo — afirmou.O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu que se esclareça o caso, mas, enquanto isso não ocorrer, é impossível dimensionar as denúncias.
— É importante que se faça a investigação e se esclareça o caso. O inquérito corre em sigilo e, portanto, não pode ser feita nenhuma valoração a respeito — disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, à rádio CBN, durante o desfile.
Numa ação combinada no Palácio do Planalto, Carvalho falou da necessidade de o Brasil se unir em torno da aprovação de um plebiscito para a reforma política. Enquanto ele dava as declarações, na Esplanada dos Ministérios, Dilma estava reunida com um grupo de jovens, no Palácio da Alvorada, debatendo o assunto.


fonte: oglobo

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