segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Qual a maior dificuldade para se tornar milionário?

A primeira coisa que uma pessoa precisa se perguntar é por que um milhão? Ela precisa saber quais são seus objetivos, o que quer. Se o objetivo é só ter tranqüilidade, você pode precisar de menos. Dito isto, a maior dificuldade é a pessoa sonhar e trabalhar para o que quer. No Brasil, com a baixa taxa de desemprego atual, juros interessantes, toda economia está vibrando, é possível ganhar dinheiro e viver bem. Uma pessoa que sabe o que gosta e sabe o que quer, corta o que não precisa e se concentra para aumentar seus rendimentos. O dinheiro vem como conseqüência, quando as pessoas fazem o que gostam. 

Danny Wilcox Frazier
Bill Gates e Warren Buffett, dois dos três homens mais ricos do planeta: o que eles têm em comum?
Quais são as características que o senhor identifica como comuns aos milionários? 
Os milionários têm pouquíssimas dívidas e sabem gerir muito bem o seu dinheiro. Têm pessoas que conseguem otimizar muito bem seu tempo e dinheiro. Elas não pensam em quanto uma coisa custa, mas sim em quanto aquela coisa pode render. Pensam em retorno. Se uma pessoa quer ganhar R$ 100 por hora, ela tem que se desenvolver e trabalhar em áreas que lhe permitam fazer isso. Se um indivíduo está perdendo tempo assistindo a filmes na televisão ou jogando no computador, ele não está rentabilizando seu tempo. Uma outra coisa que eu percebo é que as pessoas muito ricas adoram aquilo que fazem, têm muita paixão. 

Quais milionários o senhor admira? Admiro muito e acompanho o trabalho de Robert Kiyosaki [guru das finanças, autor do bestseller Pai Rico, Pai Pobre], que tive o prazer de encontrar algumas vezes. Gosto muito do Richard Branson [dono da Virgin], ele é fantástico, inspirou-me muito. Há muitas pessoas com as quais podemos aprender. Precisamos ter mentores. Eu sempre defendo que as pessoas peguem o telefone e tentem conhecer esses mentores. Os indivíduos são muito acessíveis quando vêem que há vontade de trabalhar e seriedade. Muitos milionários têm fama de avarentos. Outros gostam de esbanjar. Quem tem muito dinheiro deve mesmo gastar? 
Eles devem gastar, sim. Quando as pessoas poupam mais, o comércio e as empresas demitem mais. Uma pessoa que tem condições de gastar deve fazê-lo para ajudar a sociedade como um todo. Deve promover a economia. O dinheiro é um meio para outros fins. 

O senhor acha que as pessoas de maneira geral estão bem educadas financeiramente? Apesar de alguns planos nacionais de educação financeira estarem sendo colocados em prática, acho que não. Seja no Brasil ou em Portugal, os níveis de pobreza ainda são muito elevados. A classe média no Brasil tem aumentado muito, mas os brasileiros têm pouco dinheiro poupado. Quando se pergunta a uma pessoa quanto tempo ela poderia arcar com seus gastos mensais sem trabalhar, aqui em Portugal algumas dizem um mês, dois meses. É pouco. A maioria precisaria ter mais segurança financeira. O ideal num país como o Brasil, onde a economia está crescendo, seria entre ter entre três e seis meses de despesas mensais poupadas. 

Qual o percentual ideal dos rendimentos que deve ser poupado por mês? Se você trabalha oito horas por dia, você deveria poupar uma hora de seu dia, que dá por volta de uma poupança de 12,5% por mês. Uma poupança mínima é de uns 10%, 12%. O que sei é que as pessoas mais bem sucedidas financeiramente poupam muito mais do que isso, algo em torno de 20% a 25% de seus rendimentos. Para um jovem que já trabalha e vive na casa dos pais, não há razão para não poupar 50% dos seus rendimentos. Uma pessoa que trabalha e tem despesas com a casa, alimentação e transportes deve fazer uma poupança de 10% idealmente. 

Rafael Matsunaga
A bolsa é o caminho mais curto para ganhar e perder dinheiro. Ela não é indicada para todos investidores
Você recomenda o investimento em bolsa para qualquer pessoa? Qualquer pessoa deve investir sempre em função do tempo e dos recursos que têm. Quem não tem tempo para estudar e não entende de bolsa, não deve investir nela, porque irá perder seu dinheiro. Há um tempo atrás eu conseguia fica uma hora por dia investindo. Agora, só consigo estudar meus investimentos no final de semana. Ora, a pessoa tem que adaptar seus investimentos a seu tipo de vida. A bolsa é dos títulos que mais dá dinheiro no longo prazo. Se você analisar o rendimento da bolsa americana no longo prazo, por exemplo, ele dá um retorno de 12% ao ano. São taxas interessantes, mas não é para qualquer pessoa. Se um investidor tem medo de perder 50% de seu capital, não entende nada de análise técnica e fundamental e investe somente com base em dicas, ele não deve investir em bolsa. Deve ficar em renda fixa. Porém, se tiver disposição para aprender e se dedicar à bolsa, vale a pena, porque ganha-se muito dinheiro com ela. 

Como dividir seus investimentos entre renda fixa e variável? Depende do perfil da pessoa. Um perfil mais conservador deve ter uma grande porcentagem de sua carteira em renda fixa, em títulos da dívida e em obrigações de empresas, e deve evitar a bolsa, derivativos e matérias-primas. Quem tem perfil conservador pode investir de 20% a 30% em bolsa, mas deve comprar papéis mais seguros, de grandes empresas. Uma pessoa com perfil mais arriscado deve partir para matérias-primas, o ouro está batendo recordes todos os dias. Ela deve procurar matérias-primas e ações de pequenas empresas. Eu, por exemplo, tenho um perfil bastante diversificado. Gosto de ter renda fixa. Neste momento, não estou fazendo muitos investimentos na Europa. Tenho algumas empresas americanas e algumas brasileiras no meu portfólio e aloco hoje só 20% de meu dinheiro em ações, porque acho que está havendo uma correção dos mercados. Também gosto muito de fundos de investimento. Invisto bastante em matérias-primas através deles. Tem dado certo. Nos últimos anos, tenho duplicado os meus rendimentos. Esse é o meu perfil, cada pessoa deve encontrar o seu. 

Quais são os principais erros que levam as pessoas a enrascadas financeiras? Primeiro, é não ter essa conta poupança para emergências. O segundo é uma má gestão do crédito e das dívidas. Ninguém gosta de se endividar, mas, às vezes, por falta de planejamento ou por um imprevisto, acaba acontecendo. As situações mais comuns que levam a isso são o divórcio, doenças e desemprego. Uma gestão saudável do crédito é muito importante. Terceira coisa, tal como uma empresa monitora seu orçamento, nós também precisamos fazer o mesmo, controlando tanto as nossas despesas como os nossos rendimentos. Isso é uma coisa muito simples de fazer, que não leva muito tempo e ajuda imensamente a dar mais qualidade de vida. Se uma pessoa estiver focada em seu dinheiro e em como multiplicá-lo, irá fazê-lo sem esforço e com mais qualidade de vida, que é o que interessa. 

Wikimedia Commons
Portugal vive uma série crise financeira e precisou de um pacote de resgate da União Europeia e do FMI para conseguri honrar suas dívidas
Você percebe alguma mudança no comportamento dos portugueses com a crise econômica? As pessoas estão mais assustadas. Elas ficam mais sensíveis aos temas de finanças. E isso é importante. Mas estresse e o medo nunca são um bom sinal. As pessoas ficam menos criativas, fazem mais disparates e não ajudam ninguém. É preciso estar tranqüilo e continuar vivendo a vida normalmente.

Você nota alguma diferença no comportamento financeiro de brasileiros e portugueses? Os brasileiros que viviam em Portugal costumavam gastar muito rápido seu dinheiro, talvez pelas lembranças que tinham do período de forte inflação. Eles traziam as práticas dessa época. De maneira geral, os brasileiros são mais descontraídos e procuram informa-se mais das situações financeiras. Porém, há muitas semelhanças. Portugueses e brasileiros preferem produtos de renda fixa e têm perfil pouco propenso ao risco, ao contrário dos EUA, onde a maioria das pessoas coloca suas economias na bolsa.

A última pergunta e, talvez, a mais importante. O senhor acha que dinheiro traz felicidade? Ajuda. É muito simples de ver. Os países que têm um PIB maior, muitas vezes têm índices mais altos de felicidade. Uma pessoa que ganhe R$ 2 mil por mês é tipicamente mais infeliz do que uma que ganhe R$ 10 mil. Agora, uma que ganhe R$ 20 mil não é necessariamente mais feliz do que uma que ganhe R$ 10 mil. Há muitos estudos sobre isso. Quando o dinheiro tira as pessoas da pobreza ou lhe traz mais qualidade de vida, ele traz, sim, felicidade. Quando a pessoa já tem dinheiro para viver tranquilamente, não é o dinheiro que traz felicidade. Pode, na verdade, atrapalhar, não é mesmo?

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