O cinegrafista Gelson Domingos da Silva, 46 anos, da TV Bandeirantes, foi morto com um tiro de fuzil na manhã de ontem enquanto registrava uma operação do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) na favela de Antares, em Santa Cruz (zona oeste do Rio).
Domingos estava próximo de policiais quando foi atingido no tórax. Segundo o Grupo Bandeirantes, o cinegrafista usava colete à prova de balas, que acabou perfurado pelo projétil.
Ele foi levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Santa Cruz, mas já chegou morto ao local. A operação na favela Antares começou por volta das 6h30 e foi encabeçada por cerca de cem homens do Bope, a tropa de elite da polícia do Rio.
Também participaram da operação de ontem policiais do Batalhão de Choque e do Batalhão de Ações com Cães.
Presos
Segundo a PM, a operação tinha como meta checar informações de que líderes do tráfico se reuniam no local. Quatro suspeitos foram mortos e outros oito, presos.
Entre os detidos, segundo a polícia, está o "gerente" do tráfico local, Renato José Soares, o BBC, e seu braço direito, Leandro Ferreira de Araújo, o China.
Com a chegada dos policiais à favela, houve troca de tiros. O repórter da rádio CBN Marcos Antônio de Jesus, que acompanhou a operação, disse que Domingos e outros cinegrafistas e fotógrafos entraram num acesso da favela junto a PMs do Choque.
Outros profissionais da imprensa esperaram, durante a operação, numa avenida em frente à favela.
Jesus disse que "os tiros vinham de todos os lados" e que, instantes antes de ser atingido, o cinegrafista contou que havia conseguido localizar, com a câmera, um bandido que disparava.
Imagens
As imagens serão agora analisadas pela Polícia Civil.
O cinegrafista deixa mulher e três filhos do primeiro casamento (duas meninas, de 22 e 20 anos, e um menino de 16). A filha do meio é mãe das duas netas de Domingos.
O corpo do cinegrafista será enterrado hoje no cemitério do Caju, na região central do Rio.
Resposta
Em nota, o Grupo Bandeirantes afirmou que o cinegrafista Gelson Domingos usava modelo de colete à prova de balas "de maior capacidade de proteção, liberado pelas Forças Armadas para utilização por civis".
As afirmações foram feitas em resposta ao Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, que responsabilizou a empresa pela morte.
Para a presidente do sindicato, Suzana Blass, a morte do cinegrafista foi uma tragédia anunciada, porque os coletes fornecidos pelas empresas de comunicação não resistem a tiros de fuzil.
O Grupo Bandeirantes disse, ainda, que o tiro que matou Domingos "provavelmente" partiu de um traficante.
A assessoria da Secretaria da Segurança Pública informou que a imprensa não havia sido convocada para acompanhar a operação, devido ao alto risco.
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