domingo, 10 de julho de 2011

SISTEMA INTEGRADO BRAQUIÁRIA/CAPIM-ELEFANTE PARA PRODUÇÃO DE CARNE


Estima-se que mais de 50% das pastagens cultivadas do Brasil Central estejam degradadas ou em processo de degradação. Diversos métodos de recuperação destas pastagens são aplicáveis, preferindo-se, sempre que possível, o uso integrado das atividades agrícola e pecuária como forma de viabilização econômica do processo a curto prazo. Entretanto, a atividade agrícola, às vezes, não é viável por diversas razões, restando ao produtor proceder a reforma dos pastos, aplicando-se os insumos necessários diretamente, sem o uso de cultivos anuais para grãos. Para estes casos também existem várias possibilidades, aplicáveis segundo as características da vegetação, do solo e do próprio produtor. 
Na presente circunstância, propõe-se um método que consiste em utilizar uma pastagem de braquiária (Brachiaria decumbens) degradada ou em processo de degradação, substituindo-se 25% desta por um capim de alto potencial produtivo. Aqui está sendo proposto o uso do capim-elefante (Pennisetum purpureum) que é pastejado intensivamente por todo o rebanho envolvido, durante o período de chuvas. O restante da área (75%) de braquiária fica em descanso, sem animais, acumulando "feno-em-pé", para ser usado em pastejo contínuo pelos mesmos animais, no período seco. 
A escolha da braquiária se deve ao fato de que ela é a gramínea mais importante em termos de área plantada e áreas degradadas no Brasil Central. Além disso, é, dentre as forrageiras em uso, a que melhor se presta para reserva como "feno-em-pé". O brizantão (B. brizantha cv. 
Marandu) também pode ser usado proporcionando "feno-em-pé" de razoável qualidade. Já com relação ao capim-colonião e outros panicuns (Panicum maximum), são menos indicados, dada sua menor tolerância à seca. 
Na realidade, o sistema proposto visa oferecer aos produtores descapitalizados, sem condições para reformar todas as pastagens da propriedade, uma alternativa de custos significativamente mais baixos e capaz de, a curto prazo, proporcionar grande aumento de lotação dos pastos. 
Em resumo, o presente projeto tem dois grandes objetivos: 
1) duplicar a produção de carne por unidade de área comparada à obtida em pastagens exclusivas de braquiária, e
2) oferecer alternativa de recuperação de pastagens degradadas de braquiária com custos diluídos no prazo de 3 a 4 anos.
   IMPLANTAÇÃO 
Antes da implantação do capim-elefante deve-se fazer uma amostragem do solo, com a finalidade de se determinar com precisão a necessidade de corretivo (calcário) e fertilizantes (fósforo e potássio). 
O preparo do solo onde será implantado o capim-elefante deve ser iniciado durante o período seco, nos meses de julho-agosto, com grade pesada ou arado, visando eliminar a braquiária existente. Nesta ocasião, aplica-se também o calcário. Por ocasião das primeiras chuvas, gradeia-se novamente, ou se ara e se gradeia, e se aplica um herbicida de pré-emergência para eliminar as sementes de braquiária existentes no solo. Em seguida, abrem-se sulcos de 20 cm de profundidade a distâncias de 0,5 metro, aplica-se o adubo fosfatado no fundo do sulco e se planta o capim-elefante. 
Outros capins de elevado potencial produtivo podem ser usados em substituição ao capim-elefante, como o Tanzânia, Mombaça, Colonião e Marandu. Porém, haveria dificuldade em se substituir a braquiária por estes capins, visto serem plantados por sementes e não permitirem uso de herbicidas controladores de sementeira. 
Quaisquer das variedades mais comuns de capim-elefante, como Cameroon, Mineiro, Taiwan etc., podem ser usadas, desde que bem manejadas e adubadas. A variedade ‘Roxo’ é indicada, por ser menos produtiva e por se desconhecer seu comportamento sob pastejo. Estas pastagens podem ter vida útil de mais de 15 anos, se bem adubadas e manejadas. Se irrigadas no período seco, aumentam a produção, porém, isso só seria vantajoso em locais de baixas latitudes, não sujeitos a baixas temperaturas e com comprimento de dias menos variáveis, como as regiões que vão do centro de Goiás para o Norte. 
O capim-elefante vegeta bem em praticamente todos os tipos de solo, embora sejam preferíveis os não excessivamente argilosos. O importante é conhecer a fertilidade do solo através de sua análise, no sentido de definir corretamente as quantidades de corretivos e fertilizantes a serem aplicadas.        
UTILIZAÇÃO 
A área de capim-elefante (25%) é utilizada pelos animais durante o período de chuvas (outubro/novembro a abril/maio), em sistema de pastejo rotacionado, num regime de 6 dias de uso por 36 dias de descanso. Para isso, a área deve ser dividida em 7 áreas menores. Não se recomenda roçar o capim-elefante após a saída dos animais, pois isto retarda a recuperação e diminui a vida útil do pasto. 
Nesse período de chuvas, a outra parte do sistema (75% de braquiária) é pastejada por outro grupo de animais extras até final de janeiro, quando estes animais são retirados do sistema e a braquiária é deixada em descanso até maio, para acúmulo de "feno-em-pé". Esta área será pastejada durante o período seco pelos mesmos animais que anteriormente estavam no capim-elefante, em sistema de pastejo contínuo. 
Para que os animais continuem ganhando peso durante o período seco (pastejo sobre a braquiária), recomenda-se que os mesmos sejam suplementados a pasto. No presente caso, está sendo usada uma ração composta por milho (85%), farelo de soja (10%), uréia (2,6%), sulfato de amônia (0,4%), carbonato de cálcio (1,0%) e sal mineral (1,0%), fornecida na base de 800 g por cada 100 kg de peso vivo, por dia, porém, qualquer outra de composição similar pode ser usada. 
O tamanho do sistema vai depender do número de animais e da capacidade de lotação dos pastos. É importante considerar que a área do capim a ser implantado (capim-elefante, tanzânia etc.) deverá corresponder a 25% da área total do módulo. 
Neste sistema, podem ser usados tanto animais Nelore quanto cruzados, em fase de recria ou engorda, porém animais cruzados, nas mesmas condições de pasto e manejo, apresentam ganhos de peso superiores. Animais de cria, embora também possam ser usados, apresentam menor economicidade. Potencialmente, o sistema também pode ser vantajoso quando usado com vacas leiteiras. 
O sistema braquiária/capim-elefante pode ser usado em outras regiões, desde que sejam feitas as adaptações necessárias. Por exemplo, no Nordeste, a braquiária pode ser substituída por capim-buffel. 
O sistema descrito, composto por 75% de braquiária sem adubo e 25% de capim-elefante adubado, mantém facilmente uma média de 2 animais (com peso inicial de 270 kg) por hectare ano. Em dois anos experimentais já transcorridos, no Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte (CNPGC) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), em Campo Grande, MS, obtiveram-se médias de ganhos de peso diários situados entre 600 e 650 g/animal
ADUBAÇÃO DE MANUTENÇÃO 
Anualmente, em novembro, janeiro e março, deve ser aplicado, no capim-elefante, 50 kg de nitrogênio por hectare (250 kg de sulfato de amônio/ha), em cada aplicação. O potássio, de acordo com a análise do solo, também deve ser aplicado junto com o nitrogênio. Doses de  manutenção de fósforo devem ser aplicadas no início das chuvas, superficialmente, em quantidades também ditadas pela análise do solo. 


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